31 de agosto de 2009
3 de agosto de 2009
O que é Psicodrama
"Drama" significa "ação" em grego. Psicodrama pode ser definido como uma via de investigação da alma humana mediante a ação. É um método de pesquisa e intervenção nas relações interpessoais, nos grupos, entre grupos ou de uma pessoa consigo mesma. Mobiliza para vivenciar a realidade a partir do reconhecimento das diferenças e dos conflitos e facilita a busca de alternativas para a resolução do que é revelado, expandindo os recursos disponíveis. Tem sido amplamente utilizado na educação, nas empresas, nos hospitais, na clínica, nas comunidades.
O Psicodrama é uma parte de uma construção muito mais ampla, criada por Jacob Levy Moreno, a Socionomia. Na verdade, a denominação da parte foi estendida para o todo e, quando as pessoas usam o termo Psicodrama, estão, geralmente, se referindo à Socionomia. Ciência das leis sociais e das relações, a socionomia é caracterizada fundamentalmente por seu foco na intersecção do mundo subjetivo, psicológico e do mundo objetivo, social, contextualizando o indivíduo em relação às suas circunstâncias. Divide-se em três ramos: a Sociometria, a Sociodinâmica e a Sociatria, que guardam em comum a ação dramática como recurso para facilitar a expressão da realidade implícita nas relações interpessoais ou para a investigação e reflexão sobre determinado tema.
A Sociometria, através do teste sociométrico, mensura as escolhas dos indivíduos e expressa-as através de gráficos representativos das relações interpessoais, possibilitando a compreensão da estrutura grupal.
A Sociodinâmica investiga a dinâmica do grupo, as redes de vínculos entre os componentes dos grupos.
A Sociatria propõe-se à transformação social, à terapia da sociedade.
A Sociodinâmica e a Sociatria têm objetivos complementares e utilizam-se das mesmas técnicas: o Psicodrama, o Sociodrama, o Role Playing, o Teatro Espontâneo, a Psicoterapia de Grupo.
Enquanto técnicas, a diferença entre o Psicodrama e o Sociodrama consiste em que no primeiro o trabalho dramático focaliza o indivíduo - embora sempre visto como um ser em relação - e no segundo focaliza o próprio grupo.
A transformação social e o trabalho com a comunidade era o grande sonho de Moreno. No começo do século XX, ele ia às praças e ruas de Viena e relacionava-se com crianças e adultos, estimulando-os a descobrirem novas formas de estar no mundo. A filosofia do momento, que embasa a teoria e a prática psicodramática, foi sendo configurada através de sua observação do potencial criativo do ser humano.
Desde então, o Psicodrama vem se transformando, desenvolvendo-se como teoria e como prática. Profissionais da área clínica adaptaram-no para o atendimento processual em consultório, muitas vezes num enquadre de psicoterapia individual, trazendo novas contribuições para a teoria psicodramática do desenvolvimento emocional e para a compreensão da psicopatologia, assim como para a configuração de modelos referenciais na compreensão da experiência emocional humana e dos grupos. Neste contexto, mais comumente, a expressão dos impedimentos e conflitos envolve tensão, agressividade e, principalmente, o reconhecimento e acolhimento da dor psíquica.
Na última década, testemunhamos um resgate das origens do Psicodrama no teatro e no social, com inúmeras contribuições para a metodologia psicodramática. Novas modalidades do teatro espontâneo foram apresentadas para trabalhar questões humanas mantendo a privacidade das pessoas, condição necessária para o trabalho educacional.
A prática psicodramática, em suas inúmeras modalidades, começa pelo envolvimento das pessoas com o tema ou com a experiência a ser vivenciada, através de lembranças ou histórias do cotidiano dos indivíduos e/ou das organizações.
Cabe ao diretor manejar as técnicas psicodramáticas, como recursos de ação, para garantir o envolvimento do grupo e a escolha da cena protagônica, que refletirá a experiência dos presentes. Ele vai convidando todos para participarem na criação conjunta do enredo, favorecendo a emergência da realidade grupal.
Neste sentido, o Psicodrama é facilitador da manifestação das idéias, dos conflitos sobre um tema, dos dilemas morais, impedimentos e possibilidades de expressão em determinada situação. Fundamentado na teoria do momento e no princípio da espontaneidade, promove a participação livre de todos e estimula a criatividade na produção dramática e na catarse ativa.
Finaliza-se com os comentários, inicialmente dos participantes da cena e depois do grande grupo, com a identificação da realidade que acaba de ser vivenciada e com o levantamento de soluções possíveis para as questões abordadas.
No trabalho com o social, buscam-se soluções práticas e reais para os problemas, contribuindo para a descoberta de alternativas que promovam o desenvolvimento sustentável nas comunidades.
O principal objetivo da ação dramática é favorecer aos membros do grupo a descoberta da riqueza inerente em vivenciar plenamente o status nascendi da experiência grupal, participando com a maior honestidade possível no momento. Desta maneira, os participantes recriarão no grupo seus modelos de relacionamento, confrontando e sendo confrontados com as diferenças individuais, condição necessária para apreenderem a distinção entre sua experiência emocional e a dos outros, sendo cada um deles agente transformador dos demais.
O Psicodrama vem expandindo suas fronteiras, ampliando a diversidade de experiências de intervenção psicossocial . Acompanhando esta expansão, a produção científica tem procurado aprofundar as questões provocadas por esta prática renovada.
Os psicodramatistas são profissionais de diferentes áreas: médicos, psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos, profissionais de RH, todas as pessoas que em seu exercício profissional trabalham com grupos.
Para saber mais visite o sita da FEBRAP - Federação Brasileira de Psicodrama.
O Psicodrama é uma parte de uma construção muito mais ampla, criada por Jacob Levy Moreno, a Socionomia. Na verdade, a denominação da parte foi estendida para o todo e, quando as pessoas usam o termo Psicodrama, estão, geralmente, se referindo à Socionomia. Ciência das leis sociais e das relações, a socionomia é caracterizada fundamentalmente por seu foco na intersecção do mundo subjetivo, psicológico e do mundo objetivo, social, contextualizando o indivíduo em relação às suas circunstâncias. Divide-se em três ramos: a Sociometria, a Sociodinâmica e a Sociatria, que guardam em comum a ação dramática como recurso para facilitar a expressão da realidade implícita nas relações interpessoais ou para a investigação e reflexão sobre determinado tema.
A Sociometria, através do teste sociométrico, mensura as escolhas dos indivíduos e expressa-as através de gráficos representativos das relações interpessoais, possibilitando a compreensão da estrutura grupal.
A Sociodinâmica investiga a dinâmica do grupo, as redes de vínculos entre os componentes dos grupos.
A Sociatria propõe-se à transformação social, à terapia da sociedade.
A Sociodinâmica e a Sociatria têm objetivos complementares e utilizam-se das mesmas técnicas: o Psicodrama, o Sociodrama, o Role Playing, o Teatro Espontâneo, a Psicoterapia de Grupo.
Enquanto técnicas, a diferença entre o Psicodrama e o Sociodrama consiste em que no primeiro o trabalho dramático focaliza o indivíduo - embora sempre visto como um ser em relação - e no segundo focaliza o próprio grupo.
A transformação social e o trabalho com a comunidade era o grande sonho de Moreno. No começo do século XX, ele ia às praças e ruas de Viena e relacionava-se com crianças e adultos, estimulando-os a descobrirem novas formas de estar no mundo. A filosofia do momento, que embasa a teoria e a prática psicodramática, foi sendo configurada através de sua observação do potencial criativo do ser humano.
Desde então, o Psicodrama vem se transformando, desenvolvendo-se como teoria e como prática. Profissionais da área clínica adaptaram-no para o atendimento processual em consultório, muitas vezes num enquadre de psicoterapia individual, trazendo novas contribuições para a teoria psicodramática do desenvolvimento emocional e para a compreensão da psicopatologia, assim como para a configuração de modelos referenciais na compreensão da experiência emocional humana e dos grupos. Neste contexto, mais comumente, a expressão dos impedimentos e conflitos envolve tensão, agressividade e, principalmente, o reconhecimento e acolhimento da dor psíquica.
Na última década, testemunhamos um resgate das origens do Psicodrama no teatro e no social, com inúmeras contribuições para a metodologia psicodramática. Novas modalidades do teatro espontâneo foram apresentadas para trabalhar questões humanas mantendo a privacidade das pessoas, condição necessária para o trabalho educacional.
A prática psicodramática, em suas inúmeras modalidades, começa pelo envolvimento das pessoas com o tema ou com a experiência a ser vivenciada, através de lembranças ou histórias do cotidiano dos indivíduos e/ou das organizações.
Cabe ao diretor manejar as técnicas psicodramáticas, como recursos de ação, para garantir o envolvimento do grupo e a escolha da cena protagônica, que refletirá a experiência dos presentes. Ele vai convidando todos para participarem na criação conjunta do enredo, favorecendo a emergência da realidade grupal.
Neste sentido, o Psicodrama é facilitador da manifestação das idéias, dos conflitos sobre um tema, dos dilemas morais, impedimentos e possibilidades de expressão em determinada situação. Fundamentado na teoria do momento e no princípio da espontaneidade, promove a participação livre de todos e estimula a criatividade na produção dramática e na catarse ativa.
Finaliza-se com os comentários, inicialmente dos participantes da cena e depois do grande grupo, com a identificação da realidade que acaba de ser vivenciada e com o levantamento de soluções possíveis para as questões abordadas.
No trabalho com o social, buscam-se soluções práticas e reais para os problemas, contribuindo para a descoberta de alternativas que promovam o desenvolvimento sustentável nas comunidades.
O principal objetivo da ação dramática é favorecer aos membros do grupo a descoberta da riqueza inerente em vivenciar plenamente o status nascendi da experiência grupal, participando com a maior honestidade possível no momento. Desta maneira, os participantes recriarão no grupo seus modelos de relacionamento, confrontando e sendo confrontados com as diferenças individuais, condição necessária para apreenderem a distinção entre sua experiência emocional e a dos outros, sendo cada um deles agente transformador dos demais.
O Psicodrama vem expandindo suas fronteiras, ampliando a diversidade de experiências de intervenção psicossocial . Acompanhando esta expansão, a produção científica tem procurado aprofundar as questões provocadas por esta prática renovada.
Os psicodramatistas são profissionais de diferentes áreas: médicos, psicólogos, pedagogos, fonoaudiólogos, profissionais de RH, todas as pessoas que em seu exercício profissional trabalham com grupos.
Para saber mais visite o sita da FEBRAP - Federação Brasileira de Psicodrama.
10 de julho de 2009
Disciplina
O texto abaixo é de autoria de Karin Coyote e faz parte de um dos ensinamentos da Organização Brahama Kumaris, sobre Raja Yoga. Vale a leitura e reflexão.
Disciplina significa conduta ordenada. Disciplina anda lado a lado com economia, limpeza e organização. Disciplina é uma arte. Disciplina significa não se enfraquecer diante dos sentidos, dos velhos sentimentos e tendências ao pensamento negativo e crítico.
Preciso dar-me o treinamento que corrige, molda e aperfeiçoa minhas faculdades mentais e caráter moral, e ainda assim não devo usar de força ou abuso. Disciplina requer a ajuda da paciência e da tolerância bem como do poder da perseverança. Sem disciplina muito pode ser começado, mas pouco pode ser concluído. As recompensas desta virtude aparecem no futuro.
Para tornar essa virtude uma parte firme de meu caráter, faz-se necessária a realização da meta e dos benefícios de uma prática, além de forte entusiasmo para obter aquisições. Caso me falte essa virtude, posso desenvolvê-la determinando metas realistas e progressivas para mim mesmo e diariamente exercitando minha força de vontade, o músculo de meu intelecto. Relembro-me de ser consciente da alma, isto é, de perceber-me como sendo o ser consciente localizado no centro da testa, o motorista do corpo. Gentilmente treino-me para permanecer constantemente nessa consciência. Percebo quão importante é o estado de consciência da alma para o meu bem-estar no presente assim como no futuro.
Vejo quão disciplinado Deus é. Ele faz tudo no momento predeterminado e da forma apropriada, não desperdiçando energia ou tempo desnecessariamente. Ele é preciso e pontual em tudo. Se tenho a virtude da disciplina e a aplico no estudo, na meditação, em cada pensamento, palavra ou ação, então o sucesso e vitória estão garantidos para mim.
* Extraído do livro "As Virtudes Divinas”, de Karin Coyote, publicado pela Editora Brahma Kumaris (http://www.editorabk.org.br) - Copyright © 1999 Organização Brahma Kumaris - Rua Dona Germaine Burchard, 589 - São Paulo/SP - E-mail: editora@bkumaris.org.br
mbu2j96hkr
Disciplina significa conduta ordenada. Disciplina anda lado a lado com economia, limpeza e organização. Disciplina é uma arte. Disciplina significa não se enfraquecer diante dos sentidos, dos velhos sentimentos e tendências ao pensamento negativo e crítico.
Preciso dar-me o treinamento que corrige, molda e aperfeiçoa minhas faculdades mentais e caráter moral, e ainda assim não devo usar de força ou abuso. Disciplina requer a ajuda da paciência e da tolerância bem como do poder da perseverança. Sem disciplina muito pode ser começado, mas pouco pode ser concluído. As recompensas desta virtude aparecem no futuro.
Para tornar essa virtude uma parte firme de meu caráter, faz-se necessária a realização da meta e dos benefícios de uma prática, além de forte entusiasmo para obter aquisições. Caso me falte essa virtude, posso desenvolvê-la determinando metas realistas e progressivas para mim mesmo e diariamente exercitando minha força de vontade, o músculo de meu intelecto. Relembro-me de ser consciente da alma, isto é, de perceber-me como sendo o ser consciente localizado no centro da testa, o motorista do corpo. Gentilmente treino-me para permanecer constantemente nessa consciência. Percebo quão importante é o estado de consciência da alma para o meu bem-estar no presente assim como no futuro.
Vejo quão disciplinado Deus é. Ele faz tudo no momento predeterminado e da forma apropriada, não desperdiçando energia ou tempo desnecessariamente. Ele é preciso e pontual em tudo. Se tenho a virtude da disciplina e a aplico no estudo, na meditação, em cada pensamento, palavra ou ação, então o sucesso e vitória estão garantidos para mim.
* Extraído do livro "As Virtudes Divinas”, de Karin Coyote, publicado pela Editora Brahma Kumaris (http://www.editorabk.org.br) - Copyright © 1999 Organização Brahma Kumaris - Rua Dona Germaine Burchard, 589 - São Paulo/SP - E-mail: editora@bkumaris.org.br
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1 de julho de 2009
Psicoterapia para sobreviventes
Técnicas terapêuticas e capacitação de agentes de saúde ajudam na recuperação de pessoas com stress pós-traumático causado por violência, conflitos e miséria
Há quatro anos, o menino chamado aqui pelo nome fictício de Mohamed Abdul, de 13 anos, escapou da guerra civil na Somália. Por muito tempo teve pesadelos e flashbacks das cenas terríveis que vivenciou. Aos 9 anos, foi pisoteado por uma multidão que fugia pelas ruas e ficou internado por duas semanas. Um mês após, presenciou as conseqüências aparentes de um massacre: 20 corpos boiavam no oceano. Pouco tempo depois, militares atiraram em sua perna, deixaram-no inconsciente e estupraram Halimo, sua melhor amiga, uma garota de sua idade. Durante sua recuperação no hospital, Mohamed sofria não só pela dor física, mas, principalmente, sentia-se devastado pelo medo e pela culpa de não ter conseguido ajudar a menina. Ele tinha acessos de fúria sem ser provocado e confundia pessoas que conhecia com os bandidos e ameaçava matá-las. Meses depois, deixou sua terra natal e foi para um assentamento de refugiados em Nakivale, em Uganda. Nessa época, afirmou: “Eu sentia duas personalidades dentro de mim. Uma era esperta, boa e normal; a outra, louca e violenta”.
Ele sofria de transtorno de stress pós-traumático, uma desordem caracterizada pelo medo e pela repetição de uma recordação intensa e vívidado evento traumático. Felizmente, esse campo de refugiados contava com um recurso: o psicólogo Frank Neuner, da Universidade de Bielefeld, na Alemanha, estava oferecendo aos 14.400 africanos do acampamento, principalmente ruandeses, a “terapia da exposição narrativa”. Essa abordagem persuade os sobreviventes do trauma a assimilar as memórias à própria história de vida para que possam recuperar o equilíbrio emocional. Depois de quatro sessões, com duração de 60 a 90 minutos cada, os sonhos repetitivos e as recordações de Mohamed desapareceram; ainda se assustava com facilidade, mas não perdia o controle e os médicos o consideraram curado.
Historicamente, pesquisadores e trabalhadores de serviços humanitários de países em desenvolvimento negligenciaram a saúde mental, focando problemas como subnutrição, doenças e mortalidade infantil. Para o psiquiatra Atif Rahman, da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, “o que mudou nos últimos dez anos é o entendimento de que o bem-estar físico não pode ser separado do mental”.
Experiências recentes com psicoterapia mostram que é possível melhorar a vida de sobreviventes de guerra, como o pequeno Mohamed, de mães paupérrimas com depressão pós-parto e de outras vítimas do stress causado pela pobreza. A chave para a viabilidade desses programas inclui o treinamento de cidadãos comuns para atuarem como conselheiros. Em alguns casos, o procedimento pode ser coadjuvante de outras terapias, mas há situações em que ajudam tanto que é possível dispensar o uso de psicotrópicos. Embora muitos considerem distúrbios mentais uma espécie de praga da vida moderna, algumas desordens são, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais prevalentes nos países em desenvolvimento. Das dúzias de guerras e conflitos armados ao redor do mundo, em quase todas as nações, a violência leva ao transtorno do stress pós-traumático, dificultando a recuperação das pessoas – e do país – após o fim dos conflitos.
De acordo com Rahman e seus colegas, mães do sul da Ásia têm mais depressão pós-parto do que as de países ricos. Pessoas de regiões menos privilegiadas também sofrem com stress econômico severo. “Em muitos casos, essa pilha de adversidades está associada à baixa saúde mental”, acredita o sociólogo Ronald Kessler, da Escola de Medicina de Harvard. Para indivíduos no limite da sobrevivência, as ramificações econômicas de uma psicopatologia podem ser devastadoras. Quando alguém tem um distúrbio sério, “perde sua força e capacidade”, diz o pesquisador Paul Bolton, da Universidade Johns Hopkins.
Para compensar a falta de profissionais que trabalhem com esses distúrbios nesses países, Neuner e sua equipe recrutaram candidatos que soubessem ler, escrever e que tivessem empatia e desejo de colaborar. Um terço dos ruandeses e metade dos somalis apresentavam transtorno de stress pós-traumático, e muitos dos que poderiam se tornar conselheiros precisavam ser tratados antes. Para alguém com distúrbios, as experiências desesperadoras são “desligadas” do tempo e do espaço, como se ficassem fora de sincronia com sua própria história, mas nem por isso se tornam menos incômodas: o que não é incorporado se torna uma espécie de “fantasma” que passa a assombrar a pessoa. “Quando essas memórias são ativadas, o cérebro ‘entende’ que há ali perigo imediato, porque não está consciente de que é apenas uma lembrança. O que queremos é agarrar essa representação emocional, devolvê-la para o seu lugar e conectá-la com a história dessa pessoa”, diz Neuner.
Os terapeutas de refugiados passaram seis semanas aprendendo a ajudar pacientes a moldar sua vida em uma história coerente, incorporando os traumas na narrativa. A estratégia funcionou.Em um acompanhamento de nove meses, 70% daqueles que passaram por terapia não apresentaram mais sintomas significativos do transtorno de stress pós-traumático; já os que não receberam tratamento tiveram taxa de recuperação de 37%. Em Rawalpindi, um distrito rural no Paquistão, cerca de um terço das novas mães apresenta depressão – o dobro da taxa encontrada em países desenvolvidos. Além do custo social e do sofrimento da mulher, a depressão pós-parto pode prejudicar o desenvolvimento mental e físico dos bebês. A maior parte dessas mães considera que os sintomas são o destino dos pobres, causado pelo tawiz, um tipo de magia negra. Muitas ficam ansiosas diante da possibilidade de ser rotuladas como doentes antes mesmo de apresentarem os sintomas. Ainda mais grave: nesse local, com uma população de 3,5 milhões de habitantes, existem apenas três psiquiatras.
Para vencer barreiras, Rahman e outros pesquisadores recrutaram agentes da saúde feminina para trabalhar com terapia de distúrbio mental em suas 16 visitas anuais a cada uma dessas mães. Até há pouco tempo faziam aconselhamento sobre nutrição e educação infantil, mas o curso de dois dias habilitou-as a incluir técnicas básicas de saúde mental em seus currículos. A abordagem de Rahman toma por base a terapia cognitivo-comportamental, na qual conselheiros tentam corrigir pensamentos negativos ou distorcidos por meio da discussão e da sugestão de novos comportamentos. Se uma mãe afirmar que não tem como custear a alimentação para o bebê, por exemplo, a profissional questiona a suposição e sugere opções para a dieta da criança. Um ano após o parto, mães que receberam essa orientação apresentaram metade da taxa de depressão grave, quando comparadas àquelas que não receberam visitas tradicionais. Rahman acredita que a estratégia funciona por dar a elas autonomia para resolver seus problemas. Felizmente, mais esforços para melhorar a qualidade de vida psíquica de populações carentes estão a caminho. No Paquistão, por exemplo, profissionais da saúde ajudam a garantir que esquizofrênicos tomem seus remédios. Mas o grande obstáculo ainda é fazer com que essas práticas se tornem rotina.
Manson Inman é jornalista científico e ambiental em Karachi, no Paquistão.
por Manson Inman
Ele sofria de transtorno de stress pós-traumático, uma desordem caracterizada pelo medo e pela repetição de uma recordação intensa e vívidado evento traumático. Felizmente, esse campo de refugiados contava com um recurso: o psicólogo Frank Neuner, da Universidade de Bielefeld, na Alemanha, estava oferecendo aos 14.400 africanos do acampamento, principalmente ruandeses, a “terapia da exposição narrativa”. Essa abordagem persuade os sobreviventes do trauma a assimilar as memórias à própria história de vida para que possam recuperar o equilíbrio emocional. Depois de quatro sessões, com duração de 60 a 90 minutos cada, os sonhos repetitivos e as recordações de Mohamed desapareceram; ainda se assustava com facilidade, mas não perdia o controle e os médicos o consideraram curado.
Historicamente, pesquisadores e trabalhadores de serviços humanitários de países em desenvolvimento negligenciaram a saúde mental, focando problemas como subnutrição, doenças e mortalidade infantil. Para o psiquiatra Atif Rahman, da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, “o que mudou nos últimos dez anos é o entendimento de que o bem-estar físico não pode ser separado do mental”.
Experiências recentes com psicoterapia mostram que é possível melhorar a vida de sobreviventes de guerra, como o pequeno Mohamed, de mães paupérrimas com depressão pós-parto e de outras vítimas do stress causado pela pobreza. A chave para a viabilidade desses programas inclui o treinamento de cidadãos comuns para atuarem como conselheiros. Em alguns casos, o procedimento pode ser coadjuvante de outras terapias, mas há situações em que ajudam tanto que é possível dispensar o uso de psicotrópicos. Embora muitos considerem distúrbios mentais uma espécie de praga da vida moderna, algumas desordens são, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais prevalentes nos países em desenvolvimento. Das dúzias de guerras e conflitos armados ao redor do mundo, em quase todas as nações, a violência leva ao transtorno do stress pós-traumático, dificultando a recuperação das pessoas – e do país – após o fim dos conflitos.
De acordo com Rahman e seus colegas, mães do sul da Ásia têm mais depressão pós-parto do que as de países ricos. Pessoas de regiões menos privilegiadas também sofrem com stress econômico severo. “Em muitos casos, essa pilha de adversidades está associada à baixa saúde mental”, acredita o sociólogo Ronald Kessler, da Escola de Medicina de Harvard. Para indivíduos no limite da sobrevivência, as ramificações econômicas de uma psicopatologia podem ser devastadoras. Quando alguém tem um distúrbio sério, “perde sua força e capacidade”, diz o pesquisador Paul Bolton, da Universidade Johns Hopkins.
Para compensar a falta de profissionais que trabalhem com esses distúrbios nesses países, Neuner e sua equipe recrutaram candidatos que soubessem ler, escrever e que tivessem empatia e desejo de colaborar. Um terço dos ruandeses e metade dos somalis apresentavam transtorno de stress pós-traumático, e muitos dos que poderiam se tornar conselheiros precisavam ser tratados antes. Para alguém com distúrbios, as experiências desesperadoras são “desligadas” do tempo e do espaço, como se ficassem fora de sincronia com sua própria história, mas nem por isso se tornam menos incômodas: o que não é incorporado se torna uma espécie de “fantasma” que passa a assombrar a pessoa. “Quando essas memórias são ativadas, o cérebro ‘entende’ que há ali perigo imediato, porque não está consciente de que é apenas uma lembrança. O que queremos é agarrar essa representação emocional, devolvê-la para o seu lugar e conectá-la com a história dessa pessoa”, diz Neuner.
Os terapeutas de refugiados passaram seis semanas aprendendo a ajudar pacientes a moldar sua vida em uma história coerente, incorporando os traumas na narrativa. A estratégia funcionou.Em um acompanhamento de nove meses, 70% daqueles que passaram por terapia não apresentaram mais sintomas significativos do transtorno de stress pós-traumático; já os que não receberam tratamento tiveram taxa de recuperação de 37%. Em Rawalpindi, um distrito rural no Paquistão, cerca de um terço das novas mães apresenta depressão – o dobro da taxa encontrada em países desenvolvidos. Além do custo social e do sofrimento da mulher, a depressão pós-parto pode prejudicar o desenvolvimento mental e físico dos bebês. A maior parte dessas mães considera que os sintomas são o destino dos pobres, causado pelo tawiz, um tipo de magia negra. Muitas ficam ansiosas diante da possibilidade de ser rotuladas como doentes antes mesmo de apresentarem os sintomas. Ainda mais grave: nesse local, com uma população de 3,5 milhões de habitantes, existem apenas três psiquiatras.
Para vencer barreiras, Rahman e outros pesquisadores recrutaram agentes da saúde feminina para trabalhar com terapia de distúrbio mental em suas 16 visitas anuais a cada uma dessas mães. Até há pouco tempo faziam aconselhamento sobre nutrição e educação infantil, mas o curso de dois dias habilitou-as a incluir técnicas básicas de saúde mental em seus currículos. A abordagem de Rahman toma por base a terapia cognitivo-comportamental, na qual conselheiros tentam corrigir pensamentos negativos ou distorcidos por meio da discussão e da sugestão de novos comportamentos. Se uma mãe afirmar que não tem como custear a alimentação para o bebê, por exemplo, a profissional questiona a suposição e sugere opções para a dieta da criança. Um ano após o parto, mães que receberam essa orientação apresentaram metade da taxa de depressão grave, quando comparadas àquelas que não receberam visitas tradicionais. Rahman acredita que a estratégia funciona por dar a elas autonomia para resolver seus problemas. Felizmente, mais esforços para melhorar a qualidade de vida psíquica de populações carentes estão a caminho. No Paquistão, por exemplo, profissionais da saúde ajudam a garantir que esquizofrênicos tomem seus remédios. Mas o grande obstáculo ainda é fazer com que essas práticas se tornem rotina.
Manson Inman é jornalista científico e ambiental em Karachi, no Paquistão.
Fonte: Revista Mente e Cérebro
24 de junho de 2009
Vídeo - A caverna de Platão
Já postei anteriormente sobre o respectivo texto de Platão sobre o mito da caverna. Encontrei este ótimo vídeo apresentado no Programa Fantástico, com a Filósofa Viviane Mosé.
23 de junho de 2009
A teoria das inteligências múltiplas e suas implicações para a educação - parte 4 de 4
No que se refere à educação centrada na criança, Gardner levanta dois pontos importantes que sugerem a necessidade da individualização. O primeiro diz respeito ao fato de que, se os indivíduos têm perfis cognitivos tão diferentes uns dos outros, as escolas deveriam, ao invés de oferecer uma educação padronizada, tentar garantir que cada um recebesse a educação que favorecesse o seu potencial individual. O segundo ponto levantado por Gardner é igualmente importante: enquanto na Idade Média um indivíduo podia pretender tomar posse de todo o saber universal, hoje em dia essa tarefa é totalmente impossível, sendo mesmo bastante difícil o domínio de um só campo do saber.
Assim, se há a necessidade de se limitar a ênfase e a variedade de conteúdos, que essa limitação seja da escolha de cada um, favorecendo o perfil intelectual individual.
Quanto ao ambiente educacional, Gardner chama a atenção pare o fato de que, embora as escolas declarem que preparam seus alunos pare a vida, a vida certamente não se limita apenas a raciocínios verbais e lógicos. Ele propõe que as escolas favoreçam o conhecimento de diversas disciplinas básicas; que encoragem seus alunos a utilizar esse conhecimento para resolver problemas e efetuar tarefas que estejam relacionadas com a vida na comunidade a que pertencem; e que favoreçam o desenvolvimento de combinações intelectuais individuais, a partir da avaliação regular do potencial de cada um.
Referências Bibliográficas
1. Blythe, T.; Gardner, H. A school for all intelligences.
Educational Leadership, v.47, n.7, p.33-7, 1990.
2. Gardner, H.; Giftedness: speculation from a biological
perspective. In: Feldman, D.H. Developmental approaches to giftedness and
creativity. São Francisco, 1982. p.47-60.
3. Gardner, H.Frames of mind. New York, Basic Books Inc., 1985.
4. Gardner, H. The mind's new science. New York, Basic Books
Inc., 1987.
5. Gardner. H.;Hatcb, T. Multiple intelligences go to school:
educational implications of the theory of Multiple Intelligences.
Educational Researcher, v.18, n.8. p.4-10, 1989.
6. Kornhaber, M.L.; Gardner, H. Critical thinking across
multiple intelligences. Trabalho apresentado durante a Conferência "The
Curriculum Redefined. Paris, 1989.
7. Malkus, U.C.; Feldman, D.H.; Gardner, H. Dimensions of mind
in early childhood. In: Pelegrini, A. (ed.)The psychological bases for
early education Chichester, Wilev. 1988, p.25-38.
8. Walter,J.M.; Gardner, H. The theory of multiple
intelligences: some issues and answers. In: Stemberg, RJ.; Wagner, R.K.
(ed.) Pratical intelligence: nature and origins of competence in the every
world.. Cambridge. Cambridge University Press, p.163-82
Autora do artigo: Maria Clara S. Salgado Gama
Doutora em Educação Especial pela Universidade de Colúmbia, Nova Iorque
Assim, se há a necessidade de se limitar a ênfase e a variedade de conteúdos, que essa limitação seja da escolha de cada um, favorecendo o perfil intelectual individual.
Quanto ao ambiente educacional, Gardner chama a atenção pare o fato de que, embora as escolas declarem que preparam seus alunos pare a vida, a vida certamente não se limita apenas a raciocínios verbais e lógicos. Ele propõe que as escolas favoreçam o conhecimento de diversas disciplinas básicas; que encoragem seus alunos a utilizar esse conhecimento para resolver problemas e efetuar tarefas que estejam relacionadas com a vida na comunidade a que pertencem; e que favoreçam o desenvolvimento de combinações intelectuais individuais, a partir da avaliação regular do potencial de cada um.
Referências Bibliográficas
1. Blythe, T.; Gardner, H. A school for all intelligences.
Educational Leadership, v.47, n.7, p.33-7, 1990.
2. Gardner, H.; Giftedness: speculation from a biological
perspective. In: Feldman, D.H. Developmental approaches to giftedness and
creativity. São Francisco, 1982. p.47-60.
3. Gardner, H.Frames of mind. New York, Basic Books Inc., 1985.
4. Gardner, H. The mind's new science. New York, Basic Books
Inc., 1987.
5. Gardner. H.;Hatcb, T. Multiple intelligences go to school:
educational implications of the theory of Multiple Intelligences.
Educational Researcher, v.18, n.8. p.4-10, 1989.
6. Kornhaber, M.L.; Gardner, H. Critical thinking across
multiple intelligences. Trabalho apresentado durante a Conferência "The
Curriculum Redefined. Paris, 1989.
7. Malkus, U.C.; Feldman, D.H.; Gardner, H. Dimensions of mind
in early childhood. In: Pelegrini, A. (ed.)The psychological bases for
early education Chichester, Wilev. 1988, p.25-38.
8. Walter,J.M.; Gardner, H. The theory of multiple
intelligences: some issues and answers. In: Stemberg, RJ.; Wagner, R.K.
(ed.) Pratical intelligence: nature and origins of competence in the every
world.. Cambridge. Cambridge University Press, p.163-82
Autora do artigo: Maria Clara S. Salgado Gama
Doutora em Educação Especial pela Universidade de Colúmbia, Nova Iorque
